Com leilão de terreno marcado, Feira de São Cristóvão vê futuro incerto

Comissão que administra o espaço entrou com embargo na Justiça para impedir a venda

Por g1 Rio — g1.globo.com

Rio de Janeiro — 22/01/2026 • Atualizado há 1 dia

O terreno do Centro de Tradições Nordestinas, conhecido como Feira de São Cristóvão, será levado a leilão no dia 25 de fevereiro de 2026. O processo ocorre por meio de uma execução fiscal movida pela União contra a Riotur, responsável pelo espaço.

O lance mínimo estipulado no edital é de pouco menos de R$ 25 milhões. Comerciantes e feirantes afirmam viver dias de incerteza diante da possibilidade de perderem o local considerado um dos maiores símbolos da cultura nordestina fora do Nordeste.

O edital do leilão, inclusive, não menciona se o Centro de Tradições Nordestinas poderá permanecer no espaço após a venda.

“Levamos um susto. Desde então, não temos dormido. A gente pensa o tempo todo no que vai fazer. Esperamos que a prefeitura resolva essa situação e não tire a nossa casa.”

Magno Pereira — diretor do Centro de Tradições Nordestinas

Segundo a administração do espaço, foi protocolado um pedido de embargo judicial com o objetivo de suspender o leilão até que haja definição jurídica sobre o futuro do equipamento cultural.

Dívidas e penhora

O terreno está penhorado para o pagamento de dívidas, principalmente fiscais e trabalhistas. Entre os problemas apontados no processo está o descumprimento de normas trabalhistas pela Riotur, incluindo a falta de intervalo mínimo entre jornadas.

Em nota, a Prefeitura do Rio informou que trabalha para impedir o leilão e afirmou que não medirá esforços para manter o Pavilhão de São Cristóvão como um imóvel público.

Patrimônio cultural

O pavilhão foi tombado pela Câmara Municipal em 2021 e reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil por lei federal.

Construído em 1959 para a Exposição Internacional da Indústria e do Comércio, o prédio foi projetado pelo arquiteto Sérgio Bernardes e era considerado uma obra ousada para a época, com uma das maiores áreas cobertas do mundo sem vigas.

Após décadas de abandono e diferentes usos, o espaço passou a abrigar oficialmente o Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas em 2003, tornando-se referência cultural, gastronômica e musical do Rio de Janeiro.